Contratado em fevereiro do ano passado, Ganso completa um ano de Fluminense. Entre vaias e aclamação, o jogador nunca chegou a ser unanimidade, enquanto ainda busca seu melhor rendimento. O portal Globo Esporte fez um apanhado deste um ano de passagem do meia pelo Tricolor das Laranjeiras.
Confira:
Desde os primeiros burburinhos de que Ganso poderia ser contratado, a torcida tricolor se empolgou. No dia do seu anúncio oficial, em 31 de janeiro de 2019, então, a “internet quebrou”. O assunto era a chegada do craque ao Fluminense e a promessa de festa para recebê-lo no aeroporto.
Festa prometida e realizada. Em sua chegada ao Rio de Janeiro, Ganso foi recepcionado com muita empolgação por cerca de 150 tricolores no aeroporto Santos Dumont. Vestindo a camisa do Fluminense com a propaganda do plano de sócio-torcedor estampada, o meia foi carregado nos braços da galera e se mostrou animado com o acerto:
– Quero fazer bem meu trabalho para alegrar essa torcida toda. Essa recepção maravilhosa, só tenho que entrar em campo e fazer o melhor para dar alegrias.
A estreia pelo Fluminense foi na vitória por 2 a 0 sobre o Bangu, no Maracanã, pela primeira rodada da Taça Rio de 2019. Ganso não fez gol, nem deu assistências, mas mostrou seu toque refinado e ganhou o carinho dos torcedores e dos familiares.
Assim como no aeroporto, a torcida preparou uma festa para Ganso. Cerca de 21 mil pessoas foram ao estádio e vibraram como um gol quando o craque teve seu nome anunciado nos telões durante a escalação.
Mesmo sem atuar há três meses, jogou os 90 minutos e fez um bom primeiro tempo – se movimentou e arriscou bons passes. Na segunda etapa, sentiu a falta de ritmo e pouco participou. Após o apito final, teve seu nome gritado pelos torcedores e ouviu elogios de Fernando Diniz, técnico do Fluminense na época:
– Ele é muito diferente, é um talento raro – disse o então técnico do Fluminense, Fernando Diniz, após a estreia de Ganso.
Ganso tem como uma de suas características o passe em profundidade. No Fluminense, porém, deu apenas uma assistência em 2019, em partida contra a Cabofriense no Carioca, e passou em branco no quesito no Brasileiro. O número baixo, porém, não reflete tão precisamente o que ele fez ou deixou de fazer em campo. O camisa 10 chegou a ser líder em passes para finalizações da competição. Os atacantes tricolores na época, no entanto, não desperdiçaram muitas oportunidades e não consagraram o meia.
Titular absoluto e homem de confiança de Diniz
Ganso foi titular absoluto do Fluminense em 2019. Ficou fora apenas quando esteve lesionado ou em algumas partidas pontuais, a maioria para ser poupado. Era um dos homens de confiança de Fernando Diniz e peça-chave para o estilo de jogo do treinador. Das 61 partidas desde que chegou ao clube, foi relacionado para 48 e começou jogando em 45. Entrou em dois jogos e ficou no banco o tempo inteiro contra o Inter, na 35ª rodada, quando Marcão era o técnico.
Posicionamento mais recuado
Com Diniz, Ganso atuava recuado em um sistema com quatro homens no meio de campo. Ele buscava a bola no campo de defesa para iniciar a construção das jogadas e tinha mais responsabilidade defensiva do que em boa parte da carreira. Com Oswaldo, chegou a atuar como segundo volante. Passou a jogar mais avançado com a chegada de Marcão, que implantou um esquema com três volantes.
Expulsão em Fla-Flu
Ganso acabou se envolvendo também em confusões com a camisa do Fluminense. A primeira delas foi em um Fla-Flu, válido pela semifinal da Taça Rio. Irritado com a demora do reinício do jogo após um gol adversário, o meia discutiu com o quarto árbitro e foi expulso. Na confusão, ele empurrou o braço do assistente, foi julgado e chegou a pegar seis jogos de suspensão, pena reduzida para duas partidas depois.
A maior polêmica de Ganso no Flu, porém, foi o bate-boca com Oswaldo de Oliveira. O meia nunca chegou a ter uma convivência tranquila com o técnico que sucedeu Fernando Diniz. E o estopim foi no empate em 1 a 1 com o Santos, no Maracanã, pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro. Irritado por ter sido substituído, Ganso disse “não sabe nada” e “você é burro, burro pra c…” para Oswaldo, que respondeu chamando o meia de “vagabundo”.
O auxiliar Marcão e o preparador de goleiros André Carvalho, além de outros membros da comissão, precisaram intervir para conter os dois. Na sequência, Ganso ficou à beira do gramado, próximo a Oswaldo, passando instruções aos companheiros. O técnico foi demitido no dia seguinte e o meia foi multado pela diretoria.
Lesões
Com histórico de lesões e cirurgias na carreira, Ganso jogou 47 partidas das 61 partidas que o Fluminense disputou desde sua chegada, em 2019. Esteve ausente em dois períodos por lesões musculares. Um no começo do Brasileiro e outro na reta final. Machucou a coxa esquerda no dia 28 de novembro, na vitória por 1 a 0 sobre o Palmeiras, pela 34ª rodada do Brasileirão. Ficou fora das últimas três partidas da temporada, mas viu o Tricolor conseguir permanecer na Série A.
Após terminar 2019 lesionado e sair de férias, Ganso se reapresentou junto aos demais companheiros no dia 8 de janeiro, mas só estreou na última da fase de grupos da Taça Guanabara. O meia teve a pré-temporada estendida, para realizar um trabalho de reequilíbrio muscular e recuperar o condicionamento físico ideal.
Sem atuar, viu Nenê brilhar no começo da temporada e se firmar na vaga de titular do meio de campo tricolor. O camisa 10 vem aos poucos buscando ganhar a confiança do técnico Odair Hellmann. Começando no banco, entrou nos jogos contra Botafogo, Flamengo e Unión La Calera.
Poucos dias antes de completar um ano de sua estreia, Ganso chegou ao seu jogo de número 50 pelo Fluminense. A marca, no entanto, aconteceu em uma noite infeliz: eliminação da Sul-Americana no empate em 0 a 0 com o La Calera, do Chile. O camisa 10 entrou no lugar de Marcos Paulo aos 13 minutos do 2º tempo, buscou aumentar o poder de criação da equipe, mas não conseguiu ajudar o time a buscar a classificação.