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Opinião – Estádio das Laranjeiras, um reduto em abandono

Leandro Dias

Nobres tricolores, hoje o papo não é comigo. Abro o espaço para Victor Medeiros, torcedor do Fluminense, que nos procurou com a finalidade da publicação do texto abaixo. Uma ode ao Estádio das Laranjeiras. Ele passeia, brevemente, pela história da casa tricolor, lamenta seu atual estado, defende a revitalização para jogos oficiais e cita exemplos bem sucedidos. Não conheço o Victor. Nunca o vi. Não sei se é branco, negro, índio ou asiático. O único contato feito por e-mail. Pouco importa. Considero oportuna a divulgação deste muito pela campanha que tricolores têm feito nas redes sociais para que em 2019, ano do centenário das Laranjeiras, o Fluminense volte a disputar partidas por lá. Sou um entusiasta da ideia, assim como todos que compõe este NETFLU. Passe de trivela para você, Victor. Mata no peito e sai jogando!   ESTÁDIO DAS LARANJEIRAS Um Reduto em Abandono Por Victor Medeiros O Estádio Manoel Schwartz, Estádio da Álvaro Chaves ou carinhosamente, de forma saudosa sempre chamado, Estádio das Laranjeiras, é e sempre será a legítima casa do Fluminense Football Club e são inúmeros os porquês que comprovam a grandiosidade desse elo na história, além da enorme singularidade que esse estádio e esse clube carregam consigo. Um verdadeiro e inédito coliseu, construído para ser o berço da nossa seleção, cujo o país haveria de se tornar o maior referencial e vitorioso do futebol, e paralelamente se tornar a casa do clube que ensinou o Brasil a paixão pelo esporte que nos proporciona um distinto e maravilhoso frio na barriga. Que pôde proporcionar a ofegância das `torcedoras´, e os seus desmedidos descontos de força nas luvas, fazendo surgir o termo (torcedor), e entrar para a história como fundamental pilar de encontro da essência tricolor, que há de ser eterna, e onde se deram os primeiros passos do esporte que se consagrou brasileiro. Difícil, mas ao mesmo tempo emocionante, redigir sobre esse lugar que assombra o presente mundo tão modernizado, tão desconectado de tradições e o estádio impossibilitado de receber os aficionados pelo futebol, em especial os tricolores. Hoje ao percorrer as ruas do bairro, é possível sentir um clima de passado, que esteve logo ali, e que ainda se faz presente por meio das muitas construções de época, e que estão muito bem cuidadas. Entretanto, não se pode dizer o mesmo da maior obra arquitetônica deste belo e histórico bairro, o Estádio das Laranjeiras. Atualmente, são diversos os problemas estruturais, que colocam em risco não apenas as diversas visitações rotineiras dos torcedores e turistas, mas também a própria história gloriosa e fidalga do Fluminense Football Club. Qual seria o exato motivo para tanto desleixo com a construção que sediou os momentos mais importantes e pioneiros do futebol do Rio de Janeiro e do Brasil? Incrivelmente, é necessário lembrar que existem muitos torcedores que jamais assistiram um jogo do Fluminense no Estádio das Laranjeiras, e uma minoria que se posiciona de maneira contrária, que integram a vida política do clube, fazendo oposição a qualquer tipo de mudança que possa ocorrer de reforma ou modernização do antigo estádio tricolor. Talvez por simplesmente ser considerado pequeno, ou pelo modelo antigo que dificulta a visão do jogo com diversos pontos cegos. Estes diversos problemas, fazem crer para alguns poucos, que as possibilidades de viabilização são inexistentes, por conta do tombamento do estádio e do trânsito caótico que a região possui, desmotivando a ideia de retorno. Porém, desde o fechamento do Maracanã antigo em 2010, o Fluminense e sua torcida vem sofrendo com estádios distantes, que não traduzem a sua grandiosidade e muito menos se aproximam da identidade do clube. Tenta-se chegar a uma conclusão que possa dar uma resposta plausível, para jogar em estádios com estruturas piores ou semelhantes ao nosso estádio, com acessos difíceis, capacidades de público semelhantes, e que não trazem o devido conforto ao torcedor, sem contar a falta de relação afetiva com cada um desses redutos. O Estádio Giulite Coutinho, conseguiu ser um refúgio, e destacou por período curto de tempo, alguns elementos que compõem o envolvimento Torcida-Estádio-Time, logo desfeitos, por não se enquadrarem cada um desses elementos nas aspirações dos tricolores. A dúvida persiste, pois somos como uma enorme população, sem território, faltando apenas ao nosso abrigo, o seu devido reconhecimento. Muitos são os grandes clubes do Brasil e do mundo que jogam em estádios de menor porte, sendo de fato casas, e próprias. São muitos os argumentos dos que dizem que a reforma ou modernização do nosso estádio é impossível. Trânsito, tamanho, capacidade, segurança, acesso, estacionamento, ou seja, muitos são os ‘jargões’ invocados. Mas o questionamento que fica é: nós não enfrentamos os mesmos problemas em outros estádios? É verdade, existem problemas com o fluxo de trânsito na região, o tamanho do estádio, a capacidade para comportar as pessoas com a devida comodidade e segurança, o acesso com ruas tão estreitas e a dificuldade da locomoção com carros que serão estacionados nas imediações. É verdade, isso tudo deve ser levado em consideração, porém, o assunto deve ser exaustivamente discutido e refletido, para que se chegue a soluções que contornem esses problemas, e elas existem, ou no mínimo a busca por elas. Se o estádio pode comportar jogos para o time de futebol americano e para as divisões de base, por quê não para o time profissional? Superar as dificuldades fazem parte do DNA do Fluminense, que foi vencedor do prêmio que destaca as instituições beneméritas do esporte, a Taça Olímpica. O torcedor, muito além do que apenas um time forte, bons torneios e reforços de peso, também se preocupa com a grandiosidade do espetáculo no estádio, com casa cheia, com o preço dos ingressos, com a atmosfera que os jogos proporcionam e a beleza de participar das vitórias ao lado de sua equipe, dando a tônica de uma verdadeira epopeia, gritando a vontade de vencer e exteriorizando o sentimento de amor pelo Fluminense. O Estádio das Laranjeiras deve voltar a ser palco de vitórias, de alegria, de lazer, de união de famílias e principalmente, de união pela paz no futebol. Deve voltar a ser palco, mas com uma cara nova, reformado e modernizado, devendo haver as mudanças necessárias, mas não necessariamente grandiosas, que possibilitem a organização do trânsito, a chegada facilitada e orientada nas ruas do entorno do estádio, as melhorias de acesso às arquibancadas, as obras estruturais para segurança dos torcedores, e a observância das normas referentes aos estádios de futebol e sua adaptação. Os alçapões sulamericanos são belos exemplos do elo entre Torcida-Estádio-Time. No Brasil, o Santos e o Atlético-MG denotam perfeitamente o ideal que poderia ser promovido no Fluminense Football Club.

Um dos fundadores do NETFLU e editor do portal desde a sua criação, em dezembro de 2008, Leandro Dias é tricolor de berço, tem 37 anos e é formado pela Universidade Estácio de Sá. Jornalista desde 2004, trabalhou na Assessoria de Comunicação da Defensoria Pública Geral do Estado do Rio de Janeiro. Em 2005 ingressou no quadro de funcionários do Diário LANCE! No veículo, trabalhou como repórter do site Lancenet! e também como repórter e apresentador da TV LANCE!

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