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Mais dois pontos pelo ralo

Alvaro Oliveira Filho

Difícil escrever sobre qualquer coisa depois de uma tragédia como essa do Museu Nacional. É um misto de tristeza, revolta e vergonha por sermos o povo que somos, por elegermos os caras que elegemos, por nos omitirmos da forma como nos omitimos, diante de tudo o que vem acontecendo em nossa cidade, em nosso estado, em nosso país. O descaso, a desfaçatez e a covardia daqueles a quem demos o poder de decidir por nós são criminosos e nos cobram um preço alto todos os dias. Mas compromisso é compromisso. Vamos lá. Continuemos acreditando que tudo vai mudar nas próximas eleições. E continuemos votando nos Titicas e nos Tios Lelés da Feira Livre, usando como argumento o voto de protesto. Nós merecemos o Brasil que temos. Domingo, vi, mais uma vez, um Fluminense conformado, pouco ambicioso, que deixou escapar uma chance rara de vencer o São Paulo em pleno Morumbi. Ok, nenhum time conseguiu esta proeza até agora. Em 22 rodadas, o São Paulo sofreu apenas duas derrotas (ambas como visitante) e lidera com méritos o Campeonato Brasileiro. Sair do Morumbi com um ponto, em tese, seria até um bom resultado. Mas não foi. O São Paulo de domingo já não tinha Éverton, Nenê, Jucilei e Arboleda. Perdeu ainda Diego Souza, merecidamente expulso, e jogou com um a menos por mais de 60 minutos. É verdade que o Fluminense jogava sem Pedro, que hoje representa ao menos 50% do time. Mas, ao menos em teoria, tinha 11 em campo. E a carência de talento que se via de um lado, também era percebida de outro. Tanto que a melhor chance de gol do primeiro tempo foi desperdiçada por Jadson, que recebeu dentro da área como atacante e chutou como zagueiro. Fiquei surpreso com a mudança feita por Marcelo Oliveira no intervalo. Não pela qualidade dos jogadores envolvidos, mas pela mensagem embutida. Ao tirar o inoperante Jadson e colocar o inoperante Júnior Dutra, o técnico sinalizava para o adversário (e para seus próprios jogadores) que não estava satisfeito com o 0 a 0. Na prática, não mudou muita coisa, mas a incapacidade de criação do adversário garantia, ao menos, algum conforto na partida. E a situação poderia ter ficado ainda mais confortável depois que Anderson Martins e Sidão se atrapalharam e deram um gol de presente. Vantagem no placar, vantagem de um jogador e vantagem de enfrentar um time absolutamente desfigurado. Era tanta vantagem, que os jogadores se assustaram. Em vez de tentar nocautear o adversário, como qualquer time grande faria, simplesmente pararam de jogar. E chamaram o São Paulo para o seu campo. Com a defesa que tem, não era difícil imaginar que o empate era questão de tempo. O que eu não imaginava é que, depois do empate, o São Paulo se comportasse como Fluminense, passando a defender o resultado. Teria sido castigado não fosse outro gol incrível perdido por Matheus Alessandro. Naquelas circunstâncias, acertar o poste esquerdo de Sidão foi mais erro do que acerto. E o 1 a 1 acabou se mantendo até o apito final. Resultado bom para o São Paulo e (quem diria?) ruim para o Fluminense. Em 22 rodadas, o time marcou 22 gols, média de um por jogo. Nas últimas oito rodadas, não conseguiu marcar mais do que um gol em 90 minutos. E nas duas últimas partidas foi presenteado pelos adversários, que desviaram contra a própria rede bolas que sequer tinha a direção do gol. O time, fraquíssimo, é o reflexo de uma diretoria amadora e incapaz. Mas, assim como na política, essas pessoas estão no poder porque alguém as elegeu. Ou se omitiu. Cada um tem a sua parcela de culpa. Nós merecemos o Fluminense que temos.

Alvaro Oliveira Filho começou como jornalista na Editoria de Esportes de “O Globo”, em 1987. Teve passagem pelo Lance!, entre 2000 e 2002, quando passou a trabalhar como comentarista esportivo da rádio CBN. Participou da cobertura das Copas do Mundo de 2002 a 2014.

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