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Atestado de desespero

Alvaro Oliveira Filho
              

Antes que as pedras cheguem, quero avisar que não se trata de uma defesa de Marcelo Oliveira. Nenhum trabalho, em clubes da grandeza do Fluminense, pode ser considerado aceitável quando o número de derrotas supera o de vitórias. Ainda acho que a falta de qualidade do elenco, a inépcia da diretoria são problemas muito mais graves e contribuem muito mais para a situação atual do que a capacidade (ou a falta dela) de qualquer treinador. Mas essa é outra discussão. O que me assusta verdadeiramente é que a decisão de substituir o técnico aconteça a três dias do último jogo da temporada. Chega a ser uma covardia jogar esta bomba no colo do assistente técnico permanente, que nada fará de diferente para a partida decisiva contra o América-MG. A demissão de Marcelo, a esta altura da temporada, apenas comprova mais uma vez o despreparo de quem dirige o clube. Não poderia haver atestado maior. Permanecer na Série A, convenhamos, nem deveria ser um desafio tão complicado. Precisar de um ponto num jogo contra o América, em pleno Maracanã, não deveria tirar o sono de ninguém. E existe até a possibilidade da permanência com derrota. Mas este é o Fluminense de Pedro Abad, o Fluminense do avesso. Enquanto outras equipes igualmente limitadas esperam tranquilamente a chegada das férias, o ex-time de guerreiros parece determinado a desafiar novamente os matemáticos, tal qual em 2009. Desta vez, no entanto, para o mal. Há algumas rodadas, o risco de rebaixamento era de apenas 1%. Mas nenhum matemático sensato poderia incluir em seus cálculos a possibilidade de o time passar oito jogos sem marcar um gol, um reles golzinho. E aquele 1% começa a crescer em progressão geométrica. Sei de alguns torcedores que preferem secar os adversários a ver o jogo do Maracanã. Acham mais confiável torcer pelo Ceará ou pelo São Paulo. Seja como for, o capítulo deste domingo está longe de ser o último deste dramalhão. O ano vai mudar, mas, ao que tudo indica, as dificuldades serão as mesmas. O Fluminense atual só é opção para jogadores que saem da base ou para aqueles que não tem mercado na primeira divisão. São cada vez mais raros os profissionais dispostos a encarar a anarquia administrativa em que vem corroendo o clube há quase uma década. A base, de tão dilapidada, já não produz talento na mesma escala que em outras temporadas. Há uma geração sub-17 muito promissora. Mas é pouco provável que seus melhores jogadores cheguem ao elenco profissional. Devem ser negociados antes, a preço de banana, como aconteceu com Richarlisson. Resta a opção dos sem-mercado. E a carência acaba fazendo a alegria dos empresários, que empurram qualquer coisa. É triste, mas o Fluminense atual não escolhe seus jogadores. É escolhido por aqueles que não tem escolha.

Alvaro Oliveira Filho começou como jornalista na Editoria de Esportes de “O Globo”, em 1987. Teve passagem pelo Lance!, entre 2000 e 2002, quando passou a trabalhar como comentarista esportivo da rádio CBN. Participou da cobertura das Copas do Mundo de 2002 a 2014.

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